segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

De novo com Mia Couto...

Não saberei nunca
dizer adeus

Afinal,
só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser

Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos

Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Tenho medo.
Abraça-me com coração.

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Terra tambor

Bater certo?
Nunca nada baterá certo em mim.
Bater descontrolado.
Esse sim.
Tambor meu, tambor meu.
Sem pauta e sem maestro.
Seremos sempre, como até hoje, cúmplices
E donos da nossa própria leitura…

O nosso é bater da terra.
É deixar cair no chão, tipo bicho.
É deixar voar quando tem asas e deixar galopar quando voltam as pernas.

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

"A lua anda devagar
mas atravessa o mundo."

(Provérbio africano)

sábado, 26 de Setembro de 2009

"Só hoje senti
que o rumo a seguir
levava pra longe
senti que este chão
já não tinha espaço
pra tudo o que foge
não sei o motivo pra ir
só sei que não posso ficar
não sei o que vem a seguir
mas quero procurar

e hoje deixei
de tentar erguer
os planos de sempre
aqueles que são
pra outro amanhã
que há-de ser diferente
não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu

só hoje esperei
já sem desespero
que a noite caísse
nenhuma palavra
foi hoje diferente
do que já se disse
e há qualquer coisa a nascer
bem dentro no fundo de mim
e há uma força a vencer
qualquer outro fim

não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu"

MV - "Um pouco de céu"

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Adormecer a LER... Mia Couto...

"Da velhice
sempre invejei
o adormecer
no meio da conversa.

Esse descer da pálpebra
não é nem idade nem cansaço.

Fazer da palavra um embalo
é o mais puro e apurado
senso da poesia."
"Ante o frio,
faz com o coração
o contrário do que fazes com o corpo:
despe-o.
Quanto mais nu,
mais ele encontrará
o único agasalho possível
- um outro coração."


Mia Couto
"Como ele sempre dissera:
o rio e o coração, o que os une?
O rio nunca está feito, como não
está o coração. Ambos são sempre
nascentes, sempre nascendo.
Ou como hoje escrevo:
milagre é o rio não findar mais.
Milagre é o coração começar sempre
no peito de outra vida."

Mia Couto

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Silêncios

O peito sobe e desce
Mais devagar que o habitual
Os ombros caem
E as pálpebras acompanham o movimento
As pupilas minguam pela escassa luz que lhes resta
E todo o pensar me larga.

Como fazes quando ninguém parece ouvir?
Gritas mais alto ou esperas que reparem no teu silêncio?
Espero.
Um dia vão reparar que digo mais quando não o ouvem.

Estado quieto e meu…
Como te respeito.
Meu tempo sossegado
Como te preciso.
Olhe, é como dizem nas casas de banho…
“Quando sair, por favor, feche a porta e apague a luz”

OLÁ...

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Mia Couto... ...

CONFIDÊNCIA
“Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com suavidade
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça

Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno

Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci

Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos

No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome”


PERGUNTA-ME
“Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minutos da cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta -me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer”

...

(ESCRE)VER-ME
"sou
apenas um tradutor de silêncios

a vida
tatuou-me nos olhos
janelas
em que me transcrevo e apago

sou
um soldado
que se apaixona
pelo inimigo que vai matar"

Mia Couto

domingo, 30 de Agosto de 2009

"Obrigado por existires"

quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Palavras de Emerenciano

"...
No cimo de uma cerejeira
farei o meu ninho
encoberto e prevenido.
E em todos os bolsos
guardarei pedras
para a fisga sempre pronta."

sábado, 22 de Agosto de 2009

"A desventura do Sentido" - António Teixeira e Castro

“Quando escrevo a mão dilui-se
A voz aconchega-se no silêncio da tinta
No espaço mutável da poesia a palavra cresce

“(...)
Onde as mãos só encontram vestígios
Nasce a voz silenciosa na ferida da página

Sei que nada vai seduzir a tinta

Na língua silenciada
Os pássaros extinguem-se
Aguardo o vácuo
O elemento da fuga

“Pelos candeeiros de luzes sujas
Vislumbro as mãos
O homem
A mulher

Tardios
Aconchegados na incerteza
(…)”

Enfraquecida a sílaba
O suspiro é moroso
Como gota de água
Em qualquer vidraça embaciada
Talvez nunca boca alguma
Vá socorrê-la
Abrir-lhe a névoa
Pôr-lhe o sol
Nos lábios


Desfaz-se o coração pela pedra
Iniciada a luta
A boca
Alcança a sílaba perfeita
Namora-se o acaso da luz
Sobre o dorso das escarpas
Prolongo a nudez alcançando pássaros
Alguma poeira resiste
Sonhos
Vestígios de água
Fósseis
Aceito a planície para o voo das águias
Vou lentamente refazer seus ninhos

sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Parar

Senta-se
“Com licença”
Menina educada

Enche o peito de ar
Faz um esgar de cansaço e calor
Expira num assobio
Olha em volta
Ninguém ouviu

- Eu oiço-te –

Sacos pesados
Andará assim todos os dias?
O que trará neles?
Ajeita-os no colo pequeno
Escorrega no banco e deixa tombar a cabeça

- O que te pesa? –

Vidrada
Mal pestaneja
Olhos abertos como que focassem o pó do ar
Poderia passar a banda filarmónica que não a acordaria
Dormirá?
Não
Tem os olhos abertos
Há quem durma de olhos abertos
Mas ela não

- Onde estás? –

Longe
Deve estar longe
Respira fundo
Mas não acorda daquela entrega

- O que te prende aí? –

Alguém
Deve ser alguém que te prende.
É quase certo
É certo

- Amas? –

Molha os lábios rugosos e secos
Num entreaberto de respirar fundo
E engole o que resta de saliva
Pestaneja.
Devagar.
Fixa outra partícula, um pouco mais perto de si
E apercebe-se do longe que está
Acena com a cabeça
Mas não consegue largar o parado ser.

- Será pó? –

Rejeita aquele estado
Pestaneja mais rápido
Não muito, apenas mais.
Terá voltado a si?
Ainda não levantou a cabeça
Mas os olhos estão agora menos abertos
Já não parece tão longe
Ou talvez esteja triste.

- Deixas-me entrar? –

Parece que vai falar
Prende apenas um bocejo
Brilha no olho a água desse prender
E o pestanejo é intenso para o disfarçar

- ... -

Parece que dormiu e o bocejo a acordou
Como se tudo fosse manhã
Como se tudo fosse assim
Parar. Voltar.
Parar. Voltar.

- Voltas-te? -

Parar. Voltar.

...
Não é cansaço.
É procura de abraço.

Se a noite não fosse escura não poderiamos ver estrelas...

sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Palavra de outros - "Os dias são connosco”

"Não interessa como se passou a manhã nem interessa como se passou a tarde. Somos nós que decidimos como foi o dia.

Em vez de ser o dia em que fomos a Lisboa tratar de coisas chatas, pode ser o dia em que almoçámos lindamente na Gôndola com a nossa sobrinha Catarina.

Em vez de ser o dia em que levámos com o calor da cidade e dos prédios e dos carros, pode ser o dia em que lanchámos, no Palácio de Seteais, um jarro enorme de limonada, feita com limões dos limoeiros à nossa frente, mais uma tijela de amêndoas torradas.

Em vez de ser o dia dos nervos e dos medos pode ser o dia em que jantámos cedo na Praia das Maçãs, duas carpas fritas para nós, carpas bonitas, com feijão verde verdinho, daquele que nunca mais vai haver.

Somos nós que mandamos na definição do dia. Ninguém nos pode tirar esse poder. Podem tentar definir-nos o dia, para mais escuro ou para mais luzidio, mas nós não temos de aceitar essa definição.

Somos nós que escolhemos as partes do dia com que vamos defini-lo. Podemos ser frívolos, se quisermos.

Podemos definir o dia em que soubemos que a jovem Rosinha - que é a gata de Seteais - teve uma ninhada e que todos se encontram bem, graças a Deus.

Em vez de ser o dia que eu fui ao dentista, pode ser o dia em que fiz as primeiras filmagens da minha mulher - a rir-se e a fazer gestos encantadores, mas obrigatórios de "não me filmes!" no meu iPhone novinho.

Somos nós que decidimos o dia que foi. E nós decidimos que foi assim."

Miguel Esteves Cardoso, Público (12.8.09)

Quando nos faz tanto sentido o que os outros escrevem...

"Há gente que espera de olhar vazio
na chuva, no frio, encostada ao mundo
a quem nada espanta
nenhum gesto
nem raiva ou protesto
nem que o sol se vá perdendo lá ao
fundo

há restos de amor e de solidão
na pele, no chão, na rua inquieta
os dias são iguais já sem saudade
nem vontade
aprendendo a não querer mais do que o
que resta

e a sonhar de olhos abertos
nas paragens, nos desertos
a esperar de olhos fechados
sem imagens de outros lados
a sonhar de olhos abertos
sem viagens e regressos
a esperar de olhos fechados
outro dia lado a lado

há gente nas ruas que adormece
que se esquece enquanto a noite vem
é gente que aprendeu que nada urge
nada surge
porque os dias são viagens de ninguém

a sonhar de olhos abertos
nas paragens, nos desertos
a esperar de olhos fechados
sem imagens de outros lados
a sonhar de olhos abertos
sem viagens e regressos
a esperar de olhos fechados
outro dia lado a lado

aprende-se a calar a dor
a ternura, o rubor
o que sobra de paixão
aprende-se a conter o gesto
a raiva, o protesto
e há um dia em que a alma
nos rebenta nas mãos
"

Mafalda Veiga. Lado (a lado)

terça-feira, 9 de Junho de 2009

Estrelas

Linhas
Que deixam trilhos.

São feitas do mesmo rasto que traças
Quando me escreves na pele despida.

Mergulhamos assim…

Como as estrelas cadentes.

Tombam do escuro.

Não porque o céu não as quer
Mas porque cresceram
E agora podem voar.

Vem, amor.
Deixa o escuro.

Somos apenas nós
No nosso cobertor verde.

Nós e as estrelas que agora voam connosco.

domingo, 7 de Junho de 2009

"Muitas vezes o coração
Não consegue compreender
O que a mente não faz questão
Nem tem forças pra obedecer
(...)

Meu amor não estamos sós
Tem um mundo a esperar por nós
(...)

Então, vem cá me dá a sua língua
Então vem, eu quero abraçar você
(...)
Minha medida
Meu bem, vamos viver a vida"

Seu Jorge
A voz rouca da manhã
Puxa o corpo arrepiado
Ainda sonolento.

BOM-DIA.

Pegas-me num som tão nosso.

segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Bom-dia...

Pesam os olhos.
Cansa segurar a cabeça.

Penso que me apetece abraçar-te.
Mudo o rumo
E perco-me de ti.


No rádio a música incomoda.
Um ruído de fundo teima em chatear.
Merda de estações,
Sempre ao lado!


Os meus lábios pedem um beijo.
Passo a mão por eles
E estremece o desejo.

Quero-te.
Tenho uma imagem de ti
Bem perto.
Bem meu.

Bom-Dia.

sábado, 30 de Maio de 2009

Grito.

Dou som ao que sinto
e chamo-te.

Grito.

Surdez desalmada
que me abotoa
à armadura.

Soldadinhos de papel
Seguro o castelo
Com soldadinhos de papel.

quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Partida

Como se sentem os que partem?
Quando deixam gentes em porto?

como te sentes quando partes
como sentes os que te partem
como sentem quando te partem
como partes sem sentir??

Recomeça
Deixa a meio
Não acabes
Larga
Devaneio.

Coração

Como me pensas?
Como me vês?

Quando me deito em ti
Quando me esqueço e me deixo ir?

Bate o coração
Bate
Bate
Bateu.

Levanto-me.
Não posso sujar-te as memórias de mim.
Parto quando dormes.
Deixo o cheiro que o amor libertou.
Deixo a minha liberdade.

Hoje sou tua
Amanhã sou da lua.

quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Ponto final.

Não tenho a escrita no sangue.
Mas ponho o sangue na escrita.

Vejo-me em cada toque que fica na folha
E em cada ponto final de um recomeço.

Não tranco a linha, deixo-a aberta.
Ou tranco.
Já não sei.
Tranco.
Porque senão foge.

Eu não fujo
Mas tudo parece fugir.

Será que fujo do que me resta
e fico fugida à espera que volte?

De fugir e ficar sei eu pouco.
Mas de ficar para fugir…
Foge-me o mundo
Escorre-me do fundo

Choro sobre quem me tem
Porque quem tenho não me vê chorar.

Não há luas ou sois
Que tenham sombra maior que tu
Não há luas ou sois
Que me chamem ao olhar
Que me levem a parar
Que me levem a ficar.

Não te quero perto
Porque me tiras o fôlego.
Deixa-me ao largo
Deixa-me ao vento.

Deixa-me perto
Deixa-me… atento!

Nunca te deixo só
Nunca te largo.

Nunca te abraço
Nunca te trespasso.

...
Escondeste bem quando os ramos são densos.
Apenas quando são densos.

Eu só me escondo quando me descobrem.

segunda-feira, 23 de Março de 2009

E mais um pássaro voou...
Quando a mão que o segurava, o apertou!

domingo, 1 de Março de 2009

Homem...

O teu colo
Fazia-me chorar.

Quando me puxavas ao áspero
Da barba por fazer
Ao toque dos teus dias maus
Dos teus dias longe.

As tuas desmedidas mãos
Que me apertavam num amor ferrugento
De abraços e presenças.

Homem.
Não sabes o quanto doía.
Não sabes o quanto perdia
Não sabes ao que me sabia.

O cheiro a suor
O ermo de um tal amor.


Nas faces de criança mascaradas pelo grande homem,
O ardor da barba permanece
Em cada noite que a lágrima cai.
Não te trago ao sonho
Com o medo de lá ficares.
De um dia te sonhar demasiado
E passares a existir só nele.

Linhas...

Hoje pedes-me que te escreva
Quando a imagem do papel branco me sair da cabeça
E a tinta emergir do calor da memória.
Pedes-me que torne palavras minhas só tuas
Que te dite memórias que tenha
Que te sussurre algo que não possa ser de mais ninguém.

Quando te escrevo
Não sei como torná-lo teu.

Dou por mim a escrever como em qualquer dia
Para um qualquer papel
Com um qualquer espírito que me faça parar
Num qualquer dia de semana
Sentada no mesmo banco redondo do pensamento.

É num dia como este que te escrevo.
Quando a memória foge a qualquer lembrança
Do tempo em que a imaginação não emerge
Do tempo em que os corvos me guiam pelo escuro que é o nada.

Não te sei dizer mais nada que não sejam apenas palavras
Minhas ou não
As belas palavras de todos os homens.

Nunca ninguém me escreveu palavras
Nunca ninguém me fez ler algo só para mim
Que chamasse de minhas, ou para mim.
“olha, toma, são tuas.”
“são de mim para ti.”

Ora porra.
Qual quê.
São só palavras iguais às tantas que deixo nas linhas,
ou fora delas,
Nos mesmos cadernos de capa preta e amarela.

São iguais.
Mais redondas, as tuas.
Mas iguais.


Tens uns quantos modos engraçados de escrever.
Quando falas não és assim.
És só tu.
Aqui parecem mais.

Espera...

Desisti de me arranjar para ti.
De me por bonita para te receber
De me produzir para te realizar.

Não te espero mais de roupão grande, encarnado
Sem nada que me tape
Apenas saudade.

Fico apenas quando não consigo dormir.
Quando já nem percebo porque espero.

Mas fico.
Muitas vezes ainda.

Vens sempre de fora, clandestino

Não te reconheço sempre.
Apenas quando me procuras
Volto a perceber porque te espero.

O coração não manda em mim
Mas manda o que nele bate, o que nele vive.

Manda cada toque teu
Cada mudo toque teu.

Cada espera.

quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

E mesmo se houvesse!

Se é tesão que há
Então que seja um tesão esbraseado
Que te leve a despir-me
De tudo o que os outros sempre querem!

Que te leve a ver-me
Como um pedaço de carne, apenas
Como um naco de prazer
Numa noite em que tudo apetece.

E tudo se pode
Quando não há ninguém que nos ate as mãos…

Como chamas por abraços?

Abraça-me!
Posso ficar, sem ninguém ver?
Posso chorar sem te dizer porquê?
Posso esconder-me dentro do teu peito
E fazer-te palpitar de tanto sentir?

sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Um mudo fala quando menos um coração bate.

Sabor...

A tua cara sabe a ti
Não sei descrever-te porque és tu
Porque só tu consegues cheirar a ti
E só eu te consigo cheirar em mim.

Gosto de sentir-te perto sem saber que vais a seguir.

Vou coser-me ao teu ombro e nunca mais largar
Vou amar-te até cansar
Vou partir e vou voltar.

Cada abraço...

Oiço cada passo que dás na minha direcção.
Cada grito que sustenho cada vez que partes.

Não tens de te ir

Podes ficar
Podes dormir

Podes crer
Podes até querer
Ou até poder…

Somos só nós e o que podemos ser.

O arrepio que o teu abraço me provoca
A inquietação que a tua presença traz
O bater forte que o teu abraço acarreta
O demorar em ti
A nudez em que me deixas quando acaba.

Só por isso percebo que sou mais tua que de outro alguém.
Cada arrepio começa em ti...

Não sei se é a tua imagem que me estremece
Ou apenas o proibido que transparece.

sábado, 24 de Janeiro de 2009

Porque não...

Não me apetece parar
Não quero parar
Porque se paro perco
E não quero perder
Não quero conter
Não vou pensar
Para não parar

Pára-me tu.
Ao menos tenho o teu toque.

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

É tão fácil pensar-te.
Tão difícil compensar não pensar-te.

Tão fácil atravessar as linhas e os limites
Entre nós e os nossos desejos
Do proibido e do que nos proíbem.

É tão fácil ser mais que nós
Mais do que queremos
Tão mais difícil sermos mais do que fazemos
E do que escolhemos.

É tão fácil sair e olhar em volta
Ver quem passa
Tão mais difícil
Olhar
Sem ter pena de o deixar passar

O difícil é lembrar que passou
Pensar que já foi
Tão difícil lembrar que o proibido somos nós
E que os limites somos nós quem os traça

As linhas enrolam-se
Mas rasteiras não são elas que as passam

E o coração
Ao passar na rua
Vai dizer-te que passa.

Se o deixares passar… ele saberá voltar, com novo sangue dentro dele.

sábado, 3 de Janeiro de 2009

quando me prendem,
grito.

quando me soltam,
corro.

...mas volto!

sábado, 13 de Dezembro de 2008

Partir...

Lateja um pensamento sedento de gritar.
Lateja.
Um constante desistir.
Fico nauseada.
Monte de nadas, de tudos,
de pontes, de mudos.
De braços cegos.

Nada me diz que posso ficar.

terça-feira, 21 de Outubro de 2008

se partires
diz que voltas

se voltares
diz que ficas

se ficares
diz que amas

se amares
sê verdadeiro

se confiares
confia inteiro.
Porque me tocas

E entre o toque
O pano fecha

E somos só nós.

quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Quando em ti
Quanto de ti

Me das
Te peço

Em mim estas
Em ti descanso

Cobre-te de mim
Cobre-me de ti

Cega entre ti

Janelas abertas.
Choro de raiva
Por nada que me fizeram
Por nada que me disseram

Foi de não te ver
Foi de te ver demais

De não te tocar
De já te ter tocado antes

De nunca me perder
De me ter perdido contigo

De nunca querer chorar
De querer chorar por ti

Não te oiço
Não me falas

Penso-te
Sinto-te
Não te tenho
Minto-me.

domingo, 5 de Outubro de 2008

O nosso amor deixou-nos e tudo o resto pareceu voltar.
Antes não havia nada além dos nossos limites.
Tão curtos e nossos que eram.

Hoje, Cada um é o seu só…

terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Deixa-te andar.
Encontrarás repouso nos braços de quem te quer.

sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Sem...

abrigo é o que chamas
ao que te acolhe quando tens frio,
que sentes falta
quando se te ausenta,
que te orgulha chamares de teu,
mesmo quando nada lhes parece ser...

abrigo...
sejam braços,
abraços,
recortes,
receios.

Homem…

Muitas das feridas que te ardem
estão encobertas pela imundice da rua que te acolhe,
pela sujidade dos pés que por ti passam
e te pontapeiam,
pela poeira dos olhos de quem por ti passa
e não te quer ver.

sábado, 7 de Junho de 2008

Inerte…
Vives debaixo desse chapéu roto
À espera que deixe de chover!

Direcções...

O vento mostra-me uma direcção
As folhas indicam um sentido
Eu resisto
Ponho o mundo as costas e parto
Na direcção contraria
Esqueço-me que o mundo não é meu
E que nem o conseguiria por nas costas

Criança...

Quem és tu,
Filho de um tanto desejo
De uma noite encoberta
De prazeres suados
De tesouros roubados
De olhos apagados.

Levanta-te agora
Ergue-te e grita

Diz-me se te ouves
E quem te responde, de eco

Quem pensas ser teu?
E de quem és tu?

De que foges
Quando ninguém te persegue?

Vira costas e segue…
Na tua sombra vai a criança medrosa que nunca deixaste de ser!
Entranhas-te no que sou
E fazes de mim o que não és

Resisto-te até me perder…

Haverá melhor som do que aquele que sussurras quando me amas?

Selvagem...

Fecha o olhar
Fecha o escutar

Imagina-te longe
Voas e és livre

Sente-te forte, capaz,
Com garra e sem medos.

A luz é aquela que procuras
E o fim é aquele que encontras.

Coração selvagem…
És aquilo que ninguém te tornou

domingo, 1 de Junho de 2008

Sombras...

Anos de tardança.
Tardes inglórias.

Grades mudas num portão que parece ter nascido ali.

Faróis entram noite dentro.
No pátio.
Iluminaram o carvalho antigo.

A ausência é uma casa muito grande
E nas noites em que a lua brilha mais que o habitual,
a sala enche-se de gentes.

Sombras!

quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Mancha...

Um guarda-chuva que não guarda a chuva!
Resguarda sim um quadro
Que desfaz a cada gota que escorre…
É agora um borrão
Na camisa branca lavada

…sujou o príncipe
Da bela enamorada!
Que doce voz…
Rouca, grave, quente.
Como devia ser bom ouvir o teu embalo...
Devia, devia sim!

quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Deixa-te...

Deixa-me pousar a cabeça no teu colo
Passa-me apenas a mão pelo cabelo.

Deixa-me enrolar no teu abraço
Passa-me apenas um pouco de calor.

Deixa-me cobrir-te, deitar-te, cuidar-te
Passa apenas o coração pelo meu.

Deixa-me permanecer.

Deixa-te ficar.

segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Teatro...

São tantos Eu’s
E desses
São tão poucos meus
…tão poucos teus!

O desabafo sai em soluços
O peito oprime depois do soco
A respiração cola-se ao pestanejo
E tudo parece mais lento…
Dói!

O pano fecha.
A lágrima cai.

segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Um Fado

E assim diz Mariza:

" As coisas vulgares que há na vida não deixam saudade.
Só as lembranças que doem ou fazem sorrir...
Há gente que fica na história, da história da gente,
e outras de quem nem o nome lembramos ouvir.
São emoções que dão vida à saudade que trago.
(...)
Há dias que marcam a alma e a vida da gente
(...)
A chuva molhava-m o rosto gelado e cansado.
As ruas que a cidade tinha, já eu percorrera.
Meu choro de moça perdida,
gritava à cidade que o fogo do amor sob a chuva
à instantes, morrera.
A chuva ouviu e calou meu segredo à cidade
e eis que ela bate no vidro, trazendo a saudade.
(...)"
O que te trazem os passos, os ventos, os dias?
Onde te escondes da chuva que não molha e do relento que não chega?
Quem te lava os olhos quando as nuvens permanecem?
Quando te vêem fora do mundo que te pintam?
...

Liberdades...

Tu que dormes ao relento
Que todos cuidam infeliz.

Tu que dás, ao receber.
Que ris e que choras…
Homem igual a todos nós!

Vestido de farrapos
Despido de trapos.
De ombros descalços
De pés em sobressaltos.

Fadista que adulteras teu próprio Fado
Quem te ouve, senão a chuva?

Passa-te por quem canta
E canta-te a quem passa.

Iludidas as andorinhas
Que se julgam as mais livres!

domingo, 30 de Março de 2008

De vez em quando
Paro e penso...

De quando em vez
Penso e paro!

domingo, 16 de Março de 2008

Frio...

De pernas cruzadas
Vergada sobre mim mesma
Abraço-me ainda mais
Do que alguma vez consegui
Não espero nada
Nem ninguém
Procuro apenas o calor.

Parece mais do que um corpo
Mas é apenas mais que uma alma.

O estado de espírito é frágil
As articulações doem-se
E o calor dissipa-se
Ao erguer-me.

A luz do ecrã alumia o trajecto até ao mais fiel cobertor.
O de lã!


É… falta… tu? Não sei… alguém!

domingo, 9 de Março de 2008

Enleados...

Gostava de escrever um texto grande…
Não!
Antes um grande texto…
Porque os grandes textos não têm de ser textos grandes.

E será texto o que escrevo?
O enleado de palavras que dito às mãos…

Não sei o que é, o que são, o que foram, o que serão.
Mas são!
E se são, já algo têm de meu.

Não escrevo para ler
Escrevo para ver
O que consigo dedilhar de mim.

Há alturas em que penso,
Há outras em que escrevo,
E ainda há outras em que penso que escrevo…

O que é escrever?

Poderia escrever sobre isso mesmo!
E fazer disso aquele grande texto
Que sonho que escrevo.

Ou poderia simplesmente sentar-me a ler o que é escrever…
E adormecer…
E continuar a sonhar que escrevo.


Continuo filha da noite,
E bastarda dos escritos que me tiram dessa mesma noite!

quarta-feira, 5 de Março de 2008

"Pousa um momento"

"Pousa um momento,
Um só momento em mim,
Não só o olhar, também o pensamento.
Que a vida tenha fim
Nesse momento!

No olhar a alma também
Olhando-me, e eu a ver
Tudo quanto de ti teu olhar tem.
A ver até esquecer
Que tu és tu também.

Só tua alma sem tu
Só o teu pensamento
E eu onde, alma sem eu. Tudo o que sou
Ficou com o momento
E o momento parou."

Fernando Pessoa
Um batuque,
Uma cor.

Um abraço,
Um rubor.

Um passo,
Mais um fracasso...

quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

Como poderei gravar-te para sempre?
Não quero nunca deixar-me esquecer-te…
As tuas mãos, o teu calor, a maneira como sempre me esperas e me dizes Meu amor

Recordo-te e vivo contigo cada dia do meu existir!
Porque é por ti…

terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Presenças...

De avental apertado
como o coração,
Tens poisada nos olhos
a sombra de toda uma vida.
Pestanejas.
Tentas espantar os pássaros
Enquanto a tua boca sorri.

Fala… dás pedaços de coração em cada palavra que dizes!
Mas há um sal
que permanece na garganta,
Das tantas lágrimas engolidas.

Tens mares de saudades e dedicação nos ombros…
“Queria velejar contigo,
perceber que nortadas te fazem navegar,
que ventos te fazem doer os olhos tristes”


“Sabe quem foi ao longo destes anos que passou,
mas não sabe nem saberá o que poderia ter sido.”

Contigo...

Lembra-te e fala-me…
Dos momentos em que choramos a rir
Do colo para que te puxo a brincar
Dos abraços apertados
Das corridas no matagal
Das conversas de muitas tardes

Do sol reflectido no campo das margaridas
Onde volto e rebolo sempre que te sinto,
Que me sinto longe.

Se eu voltar
subimos às estrelas?

quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Cegueira...

Se conseguires acreditar,
Digo-te que tenho a noite nas mãos.

Não a noite por inteiro,
Não as horas
Não o escuro.

Apenas a falta.
O cansaço.
O só.
O fugir.
O desistir.

Amor de papel...

A folha pautada do caderno em branco
É arrancada pela mão
Do coração magoado

É leve
Fugaz
Deixa-se voar, no vento.
Faz redemoinhos
Poisa, e levanta, e poisa, e revira e volta a poisar.
É nada no meio de todas as folhas
De todos as arvores
De todos os dias
De todos os vendavais.

Frágil.

É nela que voa
O que te faz estremecer?

Atalhos...

Demora-te em mim.
Percorre-me devagar
Poisa na estátua da rotunda
E contorna-me.

Ando em círculos
Remoinhos
Delírios.

Gosto de te ver
Daqui de cima,
Da varanda dos meus olhos.

Chega-te perto
Respira o meu ar
E deixa-me sufocada.

Abraça-me forte
Tira-me do pedestal
E encontra-me um regaço.

Só mais um pedaço.


O que te faz cambalear?
Apenas as alturas?

Segundos...

Pisa a linha do tempo.
Pára-o.
E de pois deixa-o correr de novo...

Sentes como é forte?
Tenho saudades…
De quê?
De quem!

Rabiscos...

Naquele desenho havia silêncios.
Gentes nuas de letras,
Mudas.
Riscadas a negro.
Sem boca,
Incapazes de gritar.

As casas quadradas.
As janelas fechadas.

Num portão, um rapaz,
Espera que trace o resto da sua rua.
Grita-me: faltam braços ali em casa…

Há fumo numa janela.

Queimou-se o desenho...

segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

Temperaturas...

No cimo do penhasco
Há quem procure quem voou.
Mas quem tem asas não espera!

O grito retorna
ao embater nas ondas de espuma
…O eco é surdo ou quê??!

Vai esfriar.
Vais enregelar!
O frio vai tomar conta de ti
E deixarás de sentir-te.
O teu calor escolhe o coração
E só restará o centro do que és,
Só restará o couro que arranhas
E onde vives como clandestino!

As queimaduras do frio
São como a frieza do teu calor
… dor!

Afagos...

Sentada no teu colo,
De cabeça encostada no teu peito quente,
Sinto um bater de coração,
certinho e terno.

Adormeci, muitas vezes, nele,
a ouvir histórias de retornos e enleios.

Com um murmúrio leve, acordei.
Eram só os sussurros das minhas cegueiras.

Levanto-me,
beijo-te os olhos
cor de Outono magoado
e deixo-te
…mas só até amanhã!

Há corpos que se apagam mais rápido
que as mentes que os sustentam.

quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008

Nada mais...

Não me apetece olhar,
Mas sinto

Não me apetece sentir,
Mas vivo

Não me apetece escutar
Mas grito

Não me apetece
… Mas finjo!

Sons...

Só queria ouvir tocar
E permanecer quieta.
Só a ouvir

Deixar que o pendor me leve
Deixar que a inércia chegue
Deixar… ouvir

Levar a música para o sonho
E sonhar embalada
Quieta
Sem mais nada
Só a ouvir

Porque o som ecoa no vazio
E hoje é isso que sou
Despojo
Só a ouvir

Os olhos adormecem para o som
A reprodução do sonho é agora a música
A calma e sincera melodia
O magoado e límpido timbre

A percussão que te oiço quando choras.

quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Faltas...

No corredor do sonho
Há asas que batem e não se ouvem.

Há batas que escondem gentes
E há colos que os pequenos braços não alcançam.

Onde há choro, haverá sempre um consolo?

Não há pensos para todas as feridas,
Nem presenças em todas as vidas!

quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Eirado...

Há um terraço.
Há roupa estendida.
Há um lençol.
O lençol branco
da cama grande,
do quarto do fundo,
bordado à mão.
Ao sol,
deixa no chão do terraço o padrão repetitivo
da rosa que brota no cordão de espinhos.
Há a sombra do fino e delicado trabalho
do serão alumiado pela vela de cera
Dirigido por mãos negras, de calos,
Gretadas e doridas pelo fardo de mais um dia.
São estas mãos que espalham sementes na terra,
Que colhem e que alimentam.
É nestas mãos que se faz o verdadeiro pão.

Há uma cacimba que teima cair,
Mas permanece o calor
Que o sol deixou em cada pedra daquele eirado.

Música...

Se gritar
Só os pardais me acudirão.

Escrevo.
As folhas esvoaçam.

Lagartos assoalham-se
Enquanto não sai o cão da Maria
A mesma Maria que tem um gato
O mesmo gato que tem um guizo
O mesmo guizo que tilinta ao vento
O mesmo vento que me leva as folhas
As mesmas folhas onde escrevo
A mesma escrita que te sopro.

E no auge da ventania,
Surge a sinfonia
O poema é agora canto
E o canto é agora o espanto
Dos males da Maria

No sopro da escrita, com o assobio do vento e o canto do guizo, as folham dançam e a Maria trauteia aos seus bichos a melodia da Natureza!

domingo, 9 de Dezembro de 2007

Olhos...

A pele é um reles casaco
Que nos torna irreconhecíveis
E nos permite jogar e viver
Sem que nos contemplem realmente

Se fossemos transparentes,
Veríamos bater corações nos peitos,
Sentiríamos correr sangues nas veias,
Ensombrariam-nos os flashes das memórias

Não haveria segredos…
Não haveria escondidos nem mandatários.

Assim, resta-nos acreditar!
É na imaginação que reside o verdadeiro conhecer!

O que farão os que não acreditam em fantasias?!
Será dia só até o sol deixar…
mas cabe a nós decidir
se abrimos os olhos ao amanhecer
... depois da noite...

Uma janela do comboio...

No céu
Nuvens correm para um infinito de mar
Um horizonte longínquo
Uma realidade indefinida
É um cinzento que se desloca
Um pensamento que se desfoca
Um olhar que se derrota…

O cansaço é maior que a força para combatê-lo.
Rendo-me.
Entrego armas e adormeço.

quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

Imprimo-te aqui.
Num pacto de engenhos,
Deixo-te onde mais te encontro…
Na poesia!
Amnésia, é o que lhe chamo…

Sinopse

De trancas nas entradas
À minha volta tenho os meus nadas
Desde a estante vazia de poesia
Ao candeeiro de lâmpada fundida.

Cedi ao ardor dos olhos
E ao pulsar do colo
Par a par com a madeira do soalho
Rebolei-me no chão imundo
E reparei como dali tudo era inalcançável.
Moldada a todas as frestas
Daquele chão que sempre calquei
Senti-me alvo dos meus próprios passos
E previ-me incapaz de sonhar.
De joelhos no peito
Entreguei-me ao pranto
Senti o chão tremer
Com os soluços que a noite dava
E arrepiei-me ao pensar
Que ali alguém chorava.
Uma gota de saudade
Deixou a tábua manchada.
Rebolei sob o mesmo pesar
Não fosse essa gota ácida
Corroer toda a seda que restava.
Amanheceu.
De ventre oco
E olhos vazios
Percebi a secura que sucederia…

Cimentei a expressão.
Prefiro esperar que chova.

sábado, 1 de Dezembro de 2007

Florbela Espanca

"EU

(...)

Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo para me ver
E que nunca na vida me encontrou!
"

sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

"Amar"...

Não consigo descrever-te… “Amar”
Talvez porque continues a ser para mim uma palavra qualquer
Tão qualquer como “pão”
Tão singular como “são”
Tão banal como “oi”
Tão longe como “foi”

Não amo palavras,
Não as torno escravas
Amo sim liberdades,
Solto-lhes o embaraço
E faço delas o meu espaço.

Desabafo...

Se algum dia te ouvires do outro lado do espelho e a tristeza tomar o teu lugar à mesa de jantar, preciso que tentes gritar. Preciso ouvir-te gritar. Espera, desespero, deixa-o sonhar por mais um zelo, um aconchego de quem já não é e nunca foi. Há entranhas que te denunciam, mas ninguém te procura. As normas são demasiado assentes.
Há expressões que gritam e há palavras que calam…

Pôr-do-sol...

Acabou.

Pôs-se o sol e o chilrear dos pássaros estaciona.

Manda-os embora!
Deixa-me jazer no escuro!
A claridade tira-me a lucidez…
Aponta verdades que o escuro oculta.
… Arrisco na cegueira!

Saio para a rua
Visto a noite
Agasalho-me de possíveis restes de sol.
Tudo o que levo
É uma mala de viagem, vazia
De matérias imutáveis
Inundada de ar
Para se alguma vez me carecer…
Aquele ar que muitas vezes me sugas-te
Em todas as respirações ofegantes que partilhámos.
Hoje partilho-o com o medo,
Nessas mesmas respirações descontroladas
Com o escuro e o desconhecido…
… És tu?

Observa-te...

Guardas segredos nos teus olhos.
Deixas fluir melancolia nas tuas lágrimas.
Os percursos que formam no teu rosto
São o trajecto que tens a seguir.

Não as limpes… prolonga-as!

Tens um resto de corpo para traçar esboços,
Mãos criadoras que te delimitam traços,
Te atingem sinais,
Te envolvem prazeres,
Te agarram vontades.

Contempla o sal da tua própria vida…

quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Alquimia...

Deixa-te ficar perto.
Podemos passar a vida a misturar-nos!

Alquimistas de sangues,
Chegaremos a uma bruta essência.
Será o aroma alado
De todos os sonhadores!

O cheiro

Das primeiras chuvas,
Da estreia de um livro,
Da roupa das avós,
Da primavera nos campos,
Do baú dos brinquedos,
Da respiração,

Da lembrança,
Do sacrifício das mães que parem,
Do ardor depois do beijo,
Do suor depois do desejo,
Do toque antes da partida,
Do batuque de um coração acelerado,
Do abraço almejado,
Da dor de um espírito apertado…

A que te cheira?

Barco voador...

Portos seguros só existem para barcos sem velas.
Eu ando com o vento…
Experimento-me com asas…
As marés são meros trilhos que me elevam do solo!
Apelido-me gaivota.
Abrigo-me em terra quando o mar se zanga…
Guio os navegadores e convenço os peixes a alimentar os Homens!

segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Chuva...

Se chovesse sempre
Seria moribunda
Moraria na rua
Para ninguém saber quando choro.
De olhos esquivos e sorriso estreito
As minhas lágrimas seriam básicas gotas de chuva
E o meu coração estaria frio como as minhas mãos.
Frio para experimentar
Frio para distinguir
Frio para assistir
Frio para demorar…

Tráz xailes e junta-te a mim!
Vem ver o pranto das nuvens…
E senti-las esgotar no rosto.
Descansa… não são salgadas!

domingo, 25 de Novembro de 2007

Ilusórios...

Finjo eu, finge o tempo e finge a noite!
São estrelas que vejo luzir quando certamente já não existem,
É a lua que, sendo nua por natureza, usurpa o esplendor de um sol moído e velho, cansado de fazer-se nascer todos os dias.

Quem será verdadeiramente estrela?
Os faróis, que apontam trilhos aos marinheiros!

…Os verdadeiros perdidos, esses, por mais luz que tenham, nunca se saberão encontrar!
Mas fingem... e fingem tão bem e tão completamente que acabam por fingir-se estrelas e terminam coabitantes da mentira, na noite pardacenta de que tanto fingem que fogem.

sábado, 24 de Novembro de 2007

Estrelas...

Mentirosas cintilantes,
Luzem entre a escuridão.
Enganam qualquer um
Mesmo quando já defunto são!

Grito...

Durmo num colchão de palha,
Coberta por mantas de fitas
Num celeiro sem telhado.
Miro cada estrela
Rogo para que existam
E aponto-lhes um atalho.

Sou eu, elas, a lua e o infinito.
Eu, o meu outro eu e aquele grito!

Resta o luar e as sombras…
Só estes se ouvem entre os silêncios!

Duo...

As nuvens…
Farrapos de algodão sujo, outrora lagoa de fadas e pardais.

As ruas…
Tapetes almofadados com cadáveres de folhas, outrora vestidos tenros de moças em flor.

Dois mundos sazonais… duas esferas quadradas
…duas vidas e um só viver!

segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Dia de Inverno...

Fecham flores com o escapar do sol.
Nascem assobios com o aproximar do vendaval.

Nas águas turbulentas
De um mar frio,
Acordam-se areias
E enrolam-se tempestades.

Há árvores que dançam
E ramos que morrem.
Há telhados que abrigam
E frestas que desolam.

É o choro dos céus
Pela ausência de cor.
Um bafo de desalento
…Um dia de Inverno!

domingo, 18 de Novembro de 2007

Devaneio...

Tentei pintar-te
Uma forma de andar,
Um jeito de falar,
Uma maneira de ficar…

Tentei escrever-te
O banco de jardim onde te sentarias,
O livro que me decifrarias,
O casaco em que me acolherias…

Se o imperativo é viver,
Precisas quebrar o coração para o partilhar?

Por mais quadros e amontoados de letras,
Só os perfumes demorarão.

E num diminuto momento,
Chega o inquietante olhar,
Demora o ousado toque
Abusa o arrojado beijo…

E é hora de acordar!


Escolhi fechar os olhos, sentir a textura do ninguém e sorrir!

Planeta...

Com olhar de cega,
Julgo comparsas de gestos...

Sobre um cosmos demasiadamente grandioso,
Pontapeia-se uma esfera.
Como brincadeira de crianças,
Consumada de terra e água,
Brotam dela rebentos e seres,
Ervas daninhas e ruins criaturas.

Trepo uma árvore e elevo-me nesta essência.
Juraria cuidar-te,
Mas nunca antes os Homens te mereceram juras.

Há criaturas que nascem e humanos que morrem!



Não és de todos…
E eu sou de ninguém!

quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Sonhos verdes...

Debaixo de uma ventania desenfreada,
Levantam-se folhas
Até ali tidas como mortas.

De pés descalços,
É assim que me sinto no mundo.

Escolho correr e divagar,
E entre olhares descrentes
Sou feliz, franca e sem rota!

Pensei-te no meio daquele tenro viver,
No rebolar dos nossos corpos entre a natureza viva.

No abraço. No regaço.

Sshhh… É noite alta… Deixa o verde dormir!

domingo, 4 de Novembro de 2007

Sombras...

Tenho um desejo súbito de sonambulismo…

Poderia partilhar, entre sonhos, o arrepio da noite...
Com todos os seres que nela habitam, sem temê-los.

Sente-se um silêncio estridente que clama por bondades nos Homens,
Fixam-se sorrisos encobertos no nevoeiro,
Fitam-se ventos que arranham de tanta frieza que arrastam.

Vejo-me exaltada com os sentidos demasiado apurados…
Dou nomes e formas as sombras e entro na melancolia do neutro.
Não vejo estrelas no escuro… Vejo um escuro com falhas!

Quero não acordar… ainda!

quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

"Sometimes beginnings aren't so simple
sometimes goodbye's the only way" L.P.


.

Venham parágrafos!!

domingo, 21 de Outubro de 2007

Ah...

É assim k s sentem os sós?
Já vos compreendo!

domingo, 14 de Outubro de 2007

Luzes guias...

De olhos cerrados às candeias
imponho uma noite silenciosa.

Naquele quarto de paredes caiadas
há um relógio de corda que marca horas perdidas.

Acordo.

Debato-me por fazer de mim um nome
...e não apenas um número!

Oscilações...

Pegaste-me na dança
Puxaste-me ao sabor.
Entre sorrisos se marcam vontades
Entre passos se marcam verdades.

Espreito para a caixa do correio todas as manhãs,
À espera de ouvir-te escrever-me.

A tua caneta é agora o ponteiro dos meus humores...

Descreve se te causo e o que lhe chamas!

Música das borboletas...

Numa sala vazia de presenças
onde moram espíritos nunca antes pronunciados
está assentada uma harpa.
Toca
sozinha
para surdos de espírito
acompanhada por vozes de tal maneira histéricas
que espantam as borboletas
que jazem no parapeito da janela desta sala de ecos imaginários.

Apesar da asa solitária que tem
acredito que faz voar muitas outras...

Folha...

Estou longe...
e o meu pensamento cai
como as folhas das árvores que vejo da janela.

... não preciso de vento para me derrubar...

Vejo-me descer
entre a imponência da árvore que me criou
e sinto que nunca lhe pertenci!

terça-feira, 9 de Outubro de 2007

kdo n csgo descreve-lo, ha sp alguem que ja o fez...

Sometimes you hold so tight,
It slips right through your hands...

We built it up,To watch it fall.

You walked away,
You stole my life,
Just to find what your looking for....

There's only so many tears that you can cry,
Before it drains the light right from your eyes,
And I can't go on that way!


No matter how I try, I can't hate you anymore...

... Will I ever understand?

Nick L.

sábado, 6 de Outubro de 2007

O poder da indefinição dos risos...

domingo, 30 de Setembro de 2007

Histórias de Crianças

Trouxeste-me a casa num avião d papel e, em vez de um beijo, embrulhaste aquele bocado de folha em que voámos juntos e puseste-o no meu bolso.
Hoje voo para ti cada vez que quero.
Tracei naquela folha o teu caminho e o vento está sempre a meu favor.

Esconderijo...

Tenho o silêncio como refúgio até,
numa partida de crianças,
me encontrares o esconderijo
e me denunciares...
...neste jogo apenas de nós dois.

terça-feira, 25 de Setembro de 2007

Descobre-me...

As pedras do casario que me acolhe
São de mármore espelhado.
Tem assaltos dos temporais,
Dos Invernos frios e cavernosos,
Que lhe tiraram o esplendor de todo um brilho.

Mas a casa é a mesma,
As paredes continuam a não deixar entrar a água da chuva,
E cada vez me sinto mais segura dentro delas,
Que agora têm uma hera que as aquece.

Se me conheces, vive-me.
Se pensas que me conheces, descobre-me!

Busca...

Não fiques pelo que vês,
Procura pelo que sentes,
Encontra no que queres,
Desiste se morreres.

quarta-feira, 8 de Agosto de 2007

Marcas...

Tatua na tua vida o que dela queres
e toca nas teias que te aparecem no caminho
a melodia que sempre te embalou!

Ao longe, os sinos tocam essa mesma musica…
puxa-te ao sonho
e tu deixas-te levar... como sempre!

quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

Controla...

Tira-me estes pensamentos
que me consomem as horas.
Controla estes punhos invisiveis
que me são socos no peito.

São batuques numa caixa de musica oca,
que toca discos riscados.
O ambiente é de um escuro cerrado
onde te danço e te movimento com o desejo.

Hoje auto-imponho essa escuridão
para sentir o calor da lembrança.

Continuo a sentir-te enquanto me tocas... musica.

Tira-me melodias e da-me arrepios!

quinta-feira, 26 de Julho de 2007

Sonhos...

Banhos de lua,
Em lençóis onde se deitam memórias.
Um sorriso na penumbra,
Dirigido a pensamentos
Onde repousavam esboços de uma silhueta.

Uma voz… És…

Sinto-me… real!

Olhei-te, com olhos de querer…

Foram gestos num escuro em que te via,
De mãos presas em braços de uma insegurança,
Denunciando o que não queria esconder.
Contornei-te nos tais esboços em que te pintaste,
Procurando cada canto do que me deste.

Se a vontade me mostrasse caminhos,
Iria o querer muito mais além!

Sonhei-te.

Procuramo-nos em sonhos!

segunda-feira, 9 de Julho de 2007

Liberdade...

Um barulho de ondas
e crianças sem amarras.
Cavaleiros de tempos presentes
em guerras de corpos e sentidos.

Como me vejo assim, sem cordas de paixões!

No vazio desta madrugada,
Numa câmara de poeiras,
Agarro-me a paredes escorregadias,
Cobertas por suores de antigos prazeres.

Depois da liberdade... o esquecimento!

sábado, 7 de Julho de 2007

Ondas...

Quando me lembro, já nao te recordo.

Nao te pertenço...
...as ondas mudam as areias!

terça-feira, 3 de Julho de 2007

Descobre-te...

Revê-te numa fotografia antiga
E deseja ser dono do tempo…

Serás tu quem vês naquele espelho?

Sentes saudades daquilo que nunca existiu
E vês… por dentro… que isso te basta!

Terão as estrelas todo aquele brilho
Ou será ilusão de olhos com lágrimas?

domingo, 1 de Julho de 2007

Jogos...

Enrola tabaco
Enquanto mulheres da rua te abordam.
Sente cada bafo desaparecer no ar
E vê-te envolvido em jogos desiguais!
Vive…
Sem seres o que te fazes,
Sendo o que fazem de ti.
Outros…
Não as que te tentam,
Mas os que te levam!

Precisas escrever-te nas paredes
Para que te recordem?

segunda-feira, 25 de Junho de 2007

Estações...

Limpa essas lagrimas
a folhas que agora caem.
depois de um ardente verão,
restam as cores mortas
e incapazes deste Outono.
sente-as...
cada vez menos salgadas!

Mortes...

Linhas e limites traçados
entre inseguranças,
em dias de terrivel nevoeiro,
onde Homens de capas pretas
se vestem para funerais de esperanças!

segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Indecifrável...

Colinas cobertas de verde vivo
E de sons de natureza densa.
Uma vista longínqua de uma pintura
Em que pensamentos meus se espelham
…cheios de um tudo desconhecido,
Densos e penetráveis apenas para os mais aventureiros e conhecedores!

Incapaz e nua em frente ao que me conheço,
Deixo-os em mim... tempestuosos e indecifráveis!

domingo, 17 de Junho de 2007

Armadura...

Asas de borboleta que batem no peito…
Unhas de aves de rapina cravadas
Em braços nus,
Desarmados por excesso de confiança!

Sinto-me com uma armadura de vidro,
embaciada por respirações descontroladas...

Não me armo contra o que me trazem,
Armo-me contra o que de mim levam!

Distancias...

Numa descoberta de arrepios mútuos,
Sentidos abafam-se pelo prazer.
Entre pensamentos conscientes de culpa,
Há vestigios de uma presença distante!

quinta-feira, 7 de Junho de 2007

Miragens...

Ventos de luz debaixo de um sol escaldante.
Amantes dispersos em beijos entre arbustos.
Vozes soltas entre chilreares de aves desconhecidas.
Miragens...
Paisagens visíveis aos sonhadores!

quarta-feira, 30 de Maio de 2007

O nosso tempo...

Não contes os dias
Conta as horas…
Conta os momentos nessas horas
E soma a tudo o que vivemos em cada momento.
Será decerto numeroso e infinito
Aquilo a que chamamos
… o nosso tempo!

Momentos…

Sinto o beijo que desejo
O toque que me acorda
Pensamentos destemidos
Medos fundidos
Receios colhidos
Jamais entendidos.

Sinto a tua língua,
Molha-me o desejo
Percorre-me o pudor
Procuro mais um beijo.

Percorro o teu cinto
Puxo-te a mim
Sinto a tua pele
Tremo… enfim!

Um gesto atrevido
Uma mão no peito
Um grito abafado
Um gemido suspeito.

Perdi-te…

Perdi-te em mim
Quando menos esperava.

Deixei-te levar
Num bolso roto
De saudades que não coseste.

Como ponta de navalha afiada
Rompeste-me o forro,
Escorregaste pela minha perna
E caíste num chão de lamaçal
Onde muitos outros pés pisam.

Não te guardei no bolso certo?

Estaria o bolso já roto?

Não sei se penso
Que me caíste
Sem dar conta…
Que por mim passam e com nada lhes fico!

Pensar que já foste quem me afiou…

segunda-feira, 28 de Maio de 2007

Tormenta…

Gestos presos nas ramagens dos dias
Segredos guardados entre dedos de desejo
Ânsias dispersas num pensamento encarnado
Onde a tormenta é mais forte que paixão!

Luzes da noite…

As luzes da rua não iluminam a escuridão.
Plantadas nas bermas,
Quando o medo e o terror estão do lado de dentro.

…Mas a culpa é dos Homens!

Noite…

Ouve o som do sono dos moribundos
Sente o vento passar nas asas das gaivotas
Que dormitam, quietas, nos fios do estendal
Cegas a todos os caçadores.

É de noite, sinto o frio
As estrelas estão mais longe que pensava!

Olá

Porque partilhar contigo é mais facil que entender-me a mim mesma...

Começo hoje, 28 de Maio de 2007, a escrever-te o que, às vezes, sai sem querer... mas nos quais gosto de me ver!

Um olá a rascunhos sem data que tenho aqui... outro aos que virão!

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